quinta-feira, 30 de julho de 2009

À deriva

O advento da internet me transformou em uma pessoa bastante intolerável para com os outros tipos de mídia. Tudo bem que leio jornais na tela do computador, assisto as notícias do jornal de ontem, mas para a televisão, o rádio e outros meios impressos, dedico apenas dez segundos da minha completa atenção. E só gosto das coisas quando acompanho pelo início, como por exemplo, assistir um filme da metade em diante; é como pegar um ônibus lotado e querer sentar na janela.

Dias atrás, enquanto aguardava a rede voltar a funcionar, me dediquei completamente a observar um programa que falava sobre sobreviver à situações insobreviviveis. No caso, em um mar infestado de tubarões. No duro, se estou em um mar infestado de tubarões a última coisa que eu realmente gostaria de fazer é permanecer vivo. Não sendo comido pelos tubarões, mas talvez, praticando mergulho submarino sem equipamento. Ou qualquer outra maneira que me mandasse imediatamente para o inferno em um estado indolor.

O narrador disse que gritar embaixo da água afugenta o predador. Como se gritar embaixo da água fosse algo natural pra qualquer ser humano. Não aguentei mais do que quinze minutos na frente daquele programa. Decepcionado, desliguei a TV. As coisas no geral tendem a me decepcionar. É algo incontrolável. Sou uma pessoa que se decepciona pra burro. Não vai haver nada nesta vida que me faça completamente feliz, embora não exista um só dia em que eu não tente ser. Como quando a internet voltou a funcionar naquele dia. Joguei papel picado na água e afugentei os tubarões. Descobri que jogar papel picado na água afugenta os bichos. Tentei imaginar quem estaria à deriva num mar infestado de tubarões com montes de papel picado no bolso? Cada coisa que a gente vê por aí...

sábado, 25 de julho de 2009

Impressões: Gake no Ue no Ponyo

Gake no Ue no Ponyo (Japão, 2008), novo filme de Hayao Miyazaki (A viagem de Chihiro) chega aos Estados Unidos só em agosto, mas eu já assisti! A animação japonesa que arrebatou platéias na terrinha do sol nascente, arrebatou-me também. Ponyo no Rochedo à Beira Mar conta a história de uma peixinho dourado que deseja se tornar uma menina após conhecer um menino de 5 anos.

Brunnhilde é uma peixinho dourado superprotegida por seu pai Fujimoto, o qual, odeia os seres humanos por poluírem os oceanos. Enquanto ele prepara planos para se vingar dos destruídores da natureza, ela foge de casa e acaba presa dentro de um pote de vidro. Encalhada próximo a um rochedo à beira mar, é resgatada por Sousuke, um menino que vive próximo dali. Os dois se tornam grandes amigos e Sousuke passa a chamá-la de Ponyo. O garoto não conta que ela não é um peixe qualquer; ela espirra água nele e diz que o ama. Infelizmente a amizade é interrompida quando Fujimoto vem à tona em busca da filha, levando-a para o fundo do mar. Resta a Sousuke lutar para salvar a amiga que, com a ajuda dos espíritos do oceano, vai fazer de tudo para se transformar em uma menina para brincar com Sousuke para sempre. Mas como tudo na vida tem um preço, o sonho de Ponyo custa caro demais: o desequilíbrio de todo o oceano.

Apesar do sucesso feito no Japão, e consequentemente que virá a fazer no ocidente, Ponyo não deve ser visto como um filme comercial, mas sim, uma obra de arte, assim como todos os filmes de Hayao Miyazaki, que através de suas fábulas fantásticas, aponta os problemas do mundo real, principalmente aqueles que envolvem o meio ambiente. Em Ponyo, a preocupação com os mares e oceanos fica evidente no começo do filme, onde primeiro, Hayao nos apresenta toda a beleza da vida submarina para depois nos chocar com a realidade: um amontoado de lixo no oceano. Fujimoto não representa somente o vilão da história por querer proteger sua filha das barbáries humanas, impedindo-a de aproximar-se do menino Sousuke; ele representa o próprio espírito de preservação ambiental, presente na maior parte dos seres humanos, mesmo naqueles que jogam lixo na rua e não sabem que o impacto disso no ambiente pode ser grandioso. Impacto este representado pela vontade de Ponyo em rever seu amigo Sousuke, o que acaba ocasionando uma verdadeira catástrofe, trazendo caos à humanidade. Não vou dar mais detalhes, afinal, minha intenção aqui não é contar a vocês toda a história deste filme, que considero maravilhoso, mas instigá-los a não perder a oportunidade de assistí-lo.

Como falei a pouco, Ponyo não deve ser visto somente como um filme comercial: é uma fábula contemporânea verossímil com a realidade, nua e crua. Uma verdade que pode não estar muito longe de nós: se não nos preocuparmos agora, no futuro, pode ser tarde demais.

Ponyo ainda não tem uma previsão de estréia no Brasil.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Influenzia

É meio estranho sair na rua, nesses dias de H1N1: é como fazer parte da figuração de um filme catástrofe; pedestres e motoristas com máscaras de proteção. Para completar o cenário de desolação pós apocalíptica faltaria mesmo ruas completamente desertas, o que significa que ainda não precisamos nos preocupar em abandonar a esperança de que tudo vai acabar bem.

Se bem que as lojas estão com promoções imperdíveis. Quase tudo com 50% de desconto, o que pode ser considerado um fator preocupante em uma cidade como Caxias do Sul, onde o custo de vida é elevado e em pleno inverno, tamanhas são as promoções para a liquidação de roupas da estação. Alguns se perguntam? É a crise batendo à porta? Não, eu digo. É a influenzia!

E como é engraçado perceber a influenzia que a mídia está fazendo em torno da chamada pandemia do século, o que leva centenas de pessoas em busca de auxílio médico por causa de um espirro qualquer, causando uma hecatombe no serviço público e privado de saúde. Situação desesperadora é perceber como o povo se deixa conduzir por informações desencontradas.

Temporão diz não haver motivo para pânico. Mas uma vez o pânico gerado, não há mais como controlar a situação. Situação que causa uma histeria coletiva em busca de métodos contraceptivos para a influenzia, como a compra desnecessária de máscaras e uma busca desenfreada por um tal de Tamiflu. O ser humano e sua patética mania de auto medicação.

É meio estranho sair na rua, nesses dias de H1N1, onde todo mundo parece igual, com aquelas máscaras cirúrgicas, branco-azuladas, sem graça nenhuma. Seria bom aproveitar o momento para ingressar em um novo nicho de mercado que está se abrindo na região: o de máscaras customizadas. De gala, de passeio, até para os momentos calientes. É ter espírito empreendedor em um momento de crise. Não financeira, mas de existência. Antes da hecatombe final, pode-se curtir mais um pouquinho. Quem estava certo era o Michael Jackson. Só usava máscara porque sabia que a influenzia estava solta por aí. Um descuido e ela o pegou! Que coração que nada.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Convite

Com leite, descafeinado ou com cobertura de chantily. Café é bom de qualquer jeito. Mas como seres humanos normais, dotados de um tal "livre arbítrio", temos a capacidade de escolher o tipo que melhor se encaixa ao nosso gosto, ou melhor, nosso paladar. Independente disso, o grão é o mesmo. Um grão que une amigos, familiares e pessoas, que entre um ato e outro do dia a dia, encontram-se envolvidos pelo aroma e pelo sabor desta bebida, considerada a segunda mais consumida no Brasil. Instante em que não só o café é compartilhado, mas também os melhores comentários, as melhores histórias e os melhores momentos. Convido você, leitor, a me acompanhar em uma xícara, copo ou taça de café, para trovarmos sobre os assuntos que fazem parte do cotidiano e que mereçam um espaço na nossa mesa de café. Para mim, café com leite. E você, que tipo prefere?